maio 19, 2014

>>> BICHOS DO MAR


A autora, Estéfane Cardinot Reis, convida o jovem leitor para uma aventura fascinante: tomar fôlego, mergulhar no vasto oceano e se deparar com informações surpreendentes sobre os mais diferentes tipos de animais marinhos: fósseis, peixes, répteis, mamíferos e aves. As orcas são vorazes predadoras que se alimentam de uma infinidade de organismos, como focas, peixes, aves, tartarugas, e até de grandes baleias quando caçam em grupo. Possuem a característica coloração preta e branca e uma proeminente nadadeira dorsal, que nos machos é ainda maior e afilada. Apesar da fama de baleia assassina, não é uma coisa nem outra. Na verdade, as orcas são golfinhos e só atacam para se alimentar. Busquei mais realismo nas ilustrações, para incrementar o repertório de conhecimento e detalhes curiosos e despertamr o interesse durante a leitura. Bichos do Mar (Editora Gaia), com projeto gráfico de Raquel Matsushita, tem 56 páginas fartamente ilustradas com desenhos e fotos.

março 17, 2014

>>>> UM AMOR OPERÁRIO


O projeto gráfico da nova capa é de Daniel Cabral, da Editora Positivo. A obra faz parte da Coleção Metamorfose. Fiz a ilustração de capa, para a ágil, intensa e breve narrativa de Roniwalter Jatobá, que trata da educação sentimental do personagem Jacinto, da sua infância numa favela de Osasco à vida adulta no bairro de São Miguel, em São Paulo. Ambientada no final dos anos 60 e meados dos anos 70 do século XIX, a narrativa retrata a vivência urbana, sob a opressão da ditadura militar e do trabalho operário nas fábricas. Como contraponto redentor, traz uma bela história de amor – entre Jacinto e Emília Emiliano – nascida sob circunstâncias difíceis do cotidiano industrial e contexto político autoritário da época.

março 08, 2014

>>>> AMIGO DE DARWIN É MEU AMIGO


Fruto de mais uma dobradinha com o parceiro e escritor Rogério Andrade Barbosa. Uma colaboração que foi, nessa oportunidade, bem distinta das demais. Bento é o garoto desenhista, imaginado pelo autor, que teria sido convidado por Charles Darwin para integrar a famosa expedição científica a bordo do HMS Beagle, para registrar a flora, a fauna, os tipos humanos. Estamos falando do ano de 1832, o que me obrigou a ilustrar com a perspectiva de uma época. Ou seja, era preciso ser mais realista, documental, acadêmico, científico. Um tipo de registro bem distante das minhas habilidade e aspirações, pelo menos do ponto de vista artístico. Foi justamente essa viagem que forneceu ao ainda jovem Darwin os subsídios para a elaboração de sua teoria da evolução das espécies. Creio que, por esse motivo, o registro visual precisa acompanhar o viés naturalista.



Quando recebi o convite para ilustrar esse livro lembrei da emoção que tive quando li, bem jovem ainda, sobre a fantástica viagem e vida desse sujeito tão encantador e brilhante. Tinha que topar um desafio desses! Além do tributo ao gênio do naturalista britânico, senti também vontade de reverenciar os artistas viajantes influenciados pelas ciências naturais, como Debret, Eckhout, Taunay, Post, Burkhardt, Lane e Böcklin, que muitas vezes pagavam do próprio bolso para participar de tais expedições para atuar, digamos, como repórteres de campo e fotojornalistas. Na feitura das ilustrações usei muitas referências, recortes de jornal, revistas e anúncios antigos. Nelas misturei acrílica, guache, pastel e retoque digital.


A ilustração da página da esquerda acima parte do mais conhecido semblante do naturalista. Darwin com sua barba branca, mais velho e com aspecto cansado, bem depois da publicação de suas teorias revolucionárias. O amigo de Darwin, um jovem desenhista em Galápagos, editado pela Editora Melhoramentos, foi selecionado para o recém-lançado Catálogo FNLIJ para a Feira do Livro de Bolonha de 2014, quando o Brasil será o país homenageado.

fevereiro 27, 2014

>>> A MINHA PÁTRIA É A MINHA LÍNGUA




Neste Histórias Populares da Língua Portuguesa, conforme a sinopse do próprio Celso Sisto, o fio de ouro que liga cada uma das histórias é o idioma português. Estamos diante de histórias que são contadas há muito tempo. Tanto tempo que é impossível apontar com precisão quando elas surgiram. Sabemos que todas elas têm a ver com a passagem dos colonizadores portugueses por cada um desses territórios. E como a língua portuguesa ficou plasmada para sempre na cultura desses povos, as histórias, ainda que já existissem, passaram também a ser contadas nesse idioma. A lusofonia congrega falantes de um mesmo idioma, que se torna ainda mais rico, distinto e específico em cada lugar.

Depois de Histórias da América Latina, de Silvana Salerno, a Planeta Jovem prepara o lançamento desta obra que reúne narrativas de diversos países, recontadas à maneira brasileira pelo autor Celso Cisto. São histórias antigas dos seguintes países da comunidade lusófona: Angola, Brasil, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Cada uma delas acompanhada pelas obras dos ilustradores Rui de Oliveira, Rosinha, Ellen Pestilli, Fernando Vilela, Elma, Renato Moriconi, Ionit, Andrea Ebert, Pedro Rafael e Odilon Moraes. Divido o projeto gráfico com Eduardo Okuno. E fiz também a ilustração da capa e um mapa interno. O mosaico, que serve sempre de mote da composição, é aqui feito também com azulejos portugueses.

fevereiro 05, 2014

>>>> UMA AVENTURA WAPIXANA




O Povo Wapixana é um dos mais de 307 povos indígenas do Brasil. Muitos habitam terras indígenas nos campos naturais do Estado de Roraima, como as TIs Raposa Serra do Sol, São Marcos e Serra da Lua. Outros, moram na Republica Federativa da Guiana. Hoje são cerca de 9.000 pessoas nos dois países, sendo que a maioria vive no Brasil. A cultura Wapixana tem mais de 4.000 anos e foi dominante nos lavrados de Roraima. O tronco linguístico é o Aruak, e sua língua é o Wapixana. Apesar da violência a que foram tantas vezes submetidos, a língua e a cultura wapixana ainda estão preservadas e são ensinadas nas escolas das aldeias. O povo Wapixana divide hoje o território com outros povos, com os quais convivem pacificamente.








Ilustrei a movimentada e divertida narrativa, protagonizada apenas por animais, a convite da Paulinas Editora. O texto é assinado pelo escritor indígena Cristino Wapichana, natural de Roraima. Além de publicar obras como A onça e o fogo (Editora Manole), é também músico e o atual coordenador do Núcleo de Escritores e Artistas Indígenas (NEARIN), cujo objetivo é qualificar escritores e artistas indígenas para o ofício literário.



>>>> DA TRADIÇÃO DO POVO ZULU


Pela Editora Biruta sairá em breve lançado este reconto, com toques de suspense, aventura e desfecho surpreendente.  Nas Garras dos Babuínos tem texto assinado por Rogério Andrade Barbosa. Do mesmo autor tive a oportunidade de ilustrar vários outros títulos: O amigo de Darwin, um jovem desenhista em Galápagos (Editora Melhoramentos, 2013), Zanzibar, a ilha assombrada (Cortez Editora, 2012), A tatuagem, reconto do povo Luo (Editora Gaivota, 2012) e Pigmeus, os defensores da floresta (DCL, 2009).



Relatos sobre animais, que encontram crianças perdidas ou abandonadas numa floresta e as criam como se fossem seus próprios filhotes, são recorrentes em várias partes do mundo. Registros assim, fabulosos, inspiraram as obras de escritores como Rudyard Kipling e Edgar Rice Burroughs. Quem não conhece as aventuras de Mowgli, o menino indiano adotado por uma  matilha de lobos, ou as façanhas de Tarzan, o homem-macaco, acolhido por uma gorila em plena selva africana?




Entre as histórias contadas ao pé da fogueira pelo povo Zulu, no interior da África do Sul, abundam contos sobre crianças raptadas e cuidadas por babuínos. A versão aqui recontada é baseada numa dessas inúmeras narrativas. Na confecção das ilustrações desse livro, mais uma vez, misturei monotipias, colagem, pigmento oleoso, tinta offset, papel artesanal e retoque digital, inspirado pela iconografia tradicional Zulu. 

novembro 01, 2013

UMA IDEIA NA MÃO, UMA CÂMERA...


Ilustração para a Revista Puc Minas, que inverte graficamente a conhecida máxima de Glauber Rocha. A matéria trata do resgate da sigla FCA, ou melhor, da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas. Fala de um retorno às origens daquela instituição de ensino. A Escola de Cinema da UCMG, fundada em 1960, foi o embrião da Faculdade de Comunicação Social, criada na década de 1970. O curso de específico de cinema se fez necessário novamente. O Brasil ocupa hoje uma posição destacada no cenário latino-americano de audiovisual. Em tem sido procurado pelos países do continente para ser coprodutor em obras cinematográficas. A PUC Minas, através da FCA, pretende ser um pólo de criação audiovisual e de formação de roteiristas, produtores, cenógrafos, iluminadores, diretores de arte, diretores de fotografia, especialistas em dramaturgia, entre outros.

outubro 25, 2013

E QUEM NÃO ODEIA?


Capa recém-projetada para a nova edição do livro de Ignácio de Loyola Brandão. O título deixa explícito o espírito da obra. Era preciso fugir, portanto, da armadilha da redundância. Nesses casos é melhor pegar atalhos, dizer menos ou sublinhar com hipérbole e ironia. Loyola propõe subverter a lógica e ordem insuportável que toda segunda nos sugere. Caçoa da maldição. Trata, de viés, da busca pela felicidade inatingível. Pessimista, talvez. Mas o autor abusa do humor, de um surrealismo sarcástico e das saídas surpreendentes. Optei por uma capa sintética e conceitual: uma semana, em sua rotina, representada por sete fósforos alinhados. Um dos quais, o segundo, sempre queimado. O projeto gráfico de capa dialoga com as demais novas capas dos livros do autor, feitas para Global Editora.

outubro 03, 2013

BATE E CONTAGIA


Ilustrado por mim, este é o segundo livro de literatura infantil escrito pela reitora da Unilab, Nilma Lino Gomes. O menino coração de tambor, um lançamento da Mazza Edições, é uma homenagem ao  admirável Evandro Passos, professor de dança afro-brasileira, bailarino e coreógrafo. Cuja sensibilidade já se manifestava na barriga de Dona Conceição, em Diamantina, uma das cidades mais musicais de Minas Gerais.


Com delicadeza a escritora conta o nascimento do menino, cujo coração entrava em compasso com as notas musicais de qualquer ritmo envolvente. O leitor acompanha ainda sua trajetória musical, da infância à fase adulta, da vocação precoce à maturidade exuberante. Evandro Passos trabalhou na Brésil Vulcanique e com a Ritmo da Capoeira, duas associações criadas por franceses com foco na cultura brasileira. Hoje é membro definitivo do Comitê Internacional de Dança (CID) da Unesco, com sede em Paris, que reconheceu sua contribuição pública ao resgatar adolescentes e jovens das periferias através da arte. 


Agradeço muito à Mazza e ao Pablo pelo convite e oportunidade de colaborar nesse livro cheio de ternura, entusiasmo, realidade e espontaneidade. A arte imita a vida e, por vezes, bailam juntas. Belo o catálogo da Mazza Edições, editora mineira que prima pela publicação de temas relevantes das culturas brasileira e afro-brasileira. Axé!

outubro 02, 2013

Este não é um romance no sentido habitual do termo. O livro reúne relances da descoberta da vida por Paulinho. Uma criança que pela imaginação do­mina a realidade. Mas o enredo, nesse romance da infância, é somente um pano de fundo sobre o qual os episódios se destacam, sempre carregados de intensidade e delicadeza, essenciais na obra de um dos grandes escritores brasileiros contemporâneos. A cidade de São Luís do Maranhão, onde Orígenes Lessa passou a infância, inspirou o livro. E seus famosos azulejos também foram o mote para o projeto gráfico de capa, a pedido da Global Editora.

setembro 25, 2013

JABUTI TARDA MAS NÃO FALHA



Como herança européia herdamos a ideia de que esperta é a raposa. Mas para uma infinidade de povos ameríndios e também entre etnias africanas esse papel é do jabuti. Nos contos populares brasileiros, como legado dessas matrizes, há várias narrativas protagonizadas por jabutis. Este livro escrito pelo nigeriano Sunday Ikechukwu Nkeechi – mais conhecido como Sunny – reúne cinco saborosas aventuras desse aparentemente frágil, mas longevo animal. Cada uma delas mostra como a tartaruga é sempre capaz de se safar graças a sua sagacidade, astúcia e inspiradora sabedoria.



Ilustrei este livro de Sunny partindo da produção artística e material dos povos da Nigéria, em particular, a escultura e os objetos cotidianos. Tais referências foram reinventadas em função dos contextos e ideias do texto. Na Nigéria há uma diversidade notável, são mais de 250 grupos étnicos diferentes! Há a arte Igbo, a Yorubá, a escultura Kalabari, os bronzes do Benin, as figuras de terracota e bronze de Ile-Ife, a arte do povo Nok, entre outras fantásticas expressões. As aventuras de Torty, a tartaruga, de Sunny, é um lançamento da Editora Paulinas. Recomendo a resenha da obra assinada pela Áurea Cármen Rocha Lira, no blog do PROLIJ.



agosto 14, 2013

SOY LOCO POR TI, AMÉRICA!


Obra da escritora Silvana Salerno, este HISTÓRIAS DA AMÉRICA LATINA reúne vinte e duas narrrativas de países latino-americanos, cada qual ilustrada por um artista brasileiro, com técnicas e abordagens bastante próprias. Uma valiosa oportunidade de comparar nossos contrastes e semelhanças. O livro traz retratos de nosso continente mestiço e aberto, do repertório de diversas nações e tradições culturais ricas e variadas. Para ouvir a entrevista da escritora para o programa Universo Literário, sob o comando da jornalista Rosaly Senra, é só clicar aqui

A figura à direita é a mítica personagem das altas montanhas da República Dominicana: a ciguapa, misteriosa mulher indígena de longa cabeleira, com pés delicados voltados para atrás como os do curupira, de natureza noturna e capaz de enfeitiçar os homens. Será uma herança do povo Taino? Ou terá talvez origem africana, de tempos coloniais? Quem poderia dizer?

Produzi essa linoleogravura da ciguapa, a capa e o mapa interno, além de assinar o projeto gráfico com o Eduardo Okuno. A mesma Editora Planeta lançará em breve uma outra antologia de histórias, da mesma linhagem, sob outro tema. Uma vez mais sob nossos cuidados gráficos. 

junho 11, 2013

COBRA PREMIADA



Tiago Hakiy é poeta, escritor e contador de histórias tradicionais indígenas, amazonense de Barreirinha, estado do Amazonas, filho da etnia Sateré-Mawé. É autor de vários livros tais como Águas do Andirá; Quinta estação e Petrópolis. Dele também tive a honra de ilustrar Awyató-pót: Histórias Indígenas para Crianças (Editora Paulinas). É membro do Núcleo dos escritores e artistas indígenas (NEARIN). Formado em Biblioteconomia pela UFAM (Universidade Federal do Amazonas), Tiago atualmente ocupa o cargo de subsecretário de Cultura, Turismo e Meio Ambiente no município de Barreirinha. 



Publicada pela Atêntica Editora, Guaynê derrota a Cobra Grande - Uma história indígena, deTiago Hakiy, foi a obra vencedora do 9º Concurso Tamoios de Textos de Escritores Indígenas, em 2012. O prêmio é uma iniciativa da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), seção brasileira do International Board on Books for Young People (IBBY) em parceria com o Instituto de Propriedade Intelectual Indígena (INBRAPI), por meio do Núcleo de Escritores e Artsitas Indíegnas (NEArin), que dá o reconhecimento ao trabalho inédito da escrita literária criada por indígenas, como uma forma de fortalecimento da nova década de povos indígenas (2005-2015), conforme a proclamação da UNESCO.


maio 27, 2013

A GENTE É O QUE COME


Yaguarê Yamã é escritor, ilustrador e geógrafo formado pela Universidade de Santo Amaro – UNISA-SP. Nasceu no Amazonas e morou por muitos anos em São Paulo, onde lecionou em escolas públicas e palestrou sobre temática indígena e ambiental. Atua como líder indígena do povo Maraguá, motivo pelo qual regressou ao Amazonas em 2004, com o intuito de lutar pelos direitos de seu povo e pela demarcação de sua terras no rio Abacaxis. Desde 2011 mora na cidade de Parintins, no Amazonas, onde leciona para o ensino médio em escola pública. É autor de diversos livros, tendo recebido o selo Altamente Recomendável pela FNLIJ e o The White Ravens (seleção da Biblioteca de Berlim/Alemanha)É casado com a também escritora Lia Minapoty. Dela, pela mesma LeYa, ilustrei a história Com a noite vem o sono. Tive agora a oportunidade de desenvolver as imagens desta instigante história de uma mulher maraguá que aos poucos se  transforma numa criatura mítica, chamada Yaguarãboia, mistura de mulher e de onça e depois, de cobra çukuriju. Personagens híbridos incríveis povoam a literatura e o cinema. Quando comecei a trabalhar nas ilustrações do livro do Yaguarê lembrei de Cat People. Cuja versão original de 1942 foi baseada no conto The Bagheeta, de Val Lewton, de 1930. 
















As semelhanças param por aí? A narrativa de Yaguarãboia nasce da quebra de dois tabus tradicionais. Metamorfose é um fenômeno natural, e encarado com naturalidade pela sensibilidade indígena. A metáfora que motivou o título deste post foi inevitável. A transformação que acomete a protagonista o que significa? São muitas as sugestões embutidas para nos provocar. Como artifício gráfico o livro fechado é uma cabeça de onça. Que se abre, tal qual uma boca escancarada, para surpreender já na guarda. Na página seguinte há um busto de mulher, cortado à altura do pescoço, ornado com colares e gargantilhas. É uma espécie de preâmbulo visual.


YAGUARÃBOIA, A MULHER-ONÇA foi lançado no dia 12 de junho, às 13h00, na Biblioteca FNLIJ/Petrobras para Crianças, no Centro de Convenções Sul América, durante o 15º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, no Rio de Janeiro - RJ. 

janeiro 02, 2013

ENCANTOS DO TIMOR-LESTE



De pai para filho, de avô para neto, o povo timorense gosta de contar e ouvir histórias que se perdem no tempo. Muitas surgiram lá mesmo na terra. Outras foram ouvidas dos portugueses (interessados no perfumado sândalo e em outras riquezas), dos indonésios, dos chineses e de outras gentes que por lá chegaram e viveram, mas ganharam o colorido do lugar. O contador tradicional de histórias no Timor recebe um nome muito especial, Lia Nai, que significa Senhor da Palavra. Palavra que encanta e que reúne as crianças fazendo brilhar seus olhos nas noites da Terra do Sol Nascente. Este livro da FTD reúne dez narrativas por mim ilustradas.



Ao norte da Austrália e ao sul da Indonésia, no sudeste asiático, fica a pequena ilha do Timor-Leste. É lá que vive o crocodilo que, ao contrário de muitos que vivem no leito dos rios, mora no mar. Os habitantes da ilha o chamam de Abô Lafaek, que significa Avô Crocodilo. Os timorenses apreciam festas longas, nas quais se dança o tebedai, ao som do babadok, e os homens bebem o vinho de uma palmeira. Geraldo Costa, o autor, viveu alguns anos no Timor-Leste. E foi contagiado pelas histórias que lá ouviu. A imagem da praia acima, por exemplo, abre o conto Lakuwatu e o rei dos morcegos. E as mulheres abaixo, exibem suas vestes cerimoniais (tais) e adornos nos cabelos (ulsuku), enquanto dançam e percutem seus babadoks, tambores exclusivos, em homenagem aos seus ancestrais.

 


dezembro 30, 2012

MUNDURUKANDO OUTRA VEZ


Um dia na aldeia, uma história munduruku, lançamento da Melhoramentos, revela como um típico menino munduruku assimila naturalmente saberes diversos. Por meio de jogos e brincadeiras, o jovem Manhuari recebe os conhecimentos tradicionais, essenciais para crescer em sintonia com a cultura do seu povo e para viver em harmonia com a natureza. Os Munduruku, conhecedores dos astros e constelações, celebram o cotidiano, os animais, as frutas e outros temas em belas canções e poesias.

Assim também foi a infância de Daniel Munduruku, amigo e parceiro de tantos projetos, que hoje a todos encanta com suas tantas e belas memórias e histórias. Além da narrativa em si, o livro traz um pequeno glossário e um posfácio sobre o povo Munduruku, apelido dado pelos não indígenas, que significa formigas gigantes. Eles se reconhecem, no entanto, como Wuy jugu, ou gente verdadeira. A história narra um dia típico de uma bekitkit (aldeia) munduruku. As ilustrações são monotipias colorizadas com pigmentos naturais e retoques digitais.

novembro 27, 2012

A AMAZÔNIA QUE O INGLÊS VIA


Este Contos Amazônicos (Editora Martin Claret) é o último livro do professor, advogado, político, jornalista e escritor Inglês de Sousasob o mesmo princípio literário: descrever a realidade com olhos de cientista. Como pioneiro da literatura naturalista no Brasil, seu objetivo era mais analisar do que sentir. Neste e nos outros quatro robustos romances que escreveu são evidentes as influências de Eça de Queiros e Émile Zola. Na obra aborda temas como a Cabanagem no norte, a guerra do Paraguai, a escravidão, a relação entre brancos e índios, os ventos da República e a fragilização do catolicismo, emoldurados pela paisagem colorida e pelas histórias, lendas e mitos dos ribeirinhos do Pará, na região amazônica. Ailustração de capa foi motivada pelo sétimo conto, cujo protagonista é provavelmente o mais comentado e difundido mito do norte: o boto.

outubro 26, 2012

PEDZERÉ, LINHAS E CORES


Essa história foi inspirada pela visão de um sanhaço-de-coqueiro que a autora – a escritora carioca Naná Martins - vislumbrou pela janela do seu quarto, um pouco antes de dormir. No dia seguinte, embalada pela brisa e pelo canto dos pássaros, Naná observou uma bela índia que ajeitava os longos cabelos negros. Nasceu assim o mote para uma narrativa fictícia, lançada pela Editora FTD, com toques étnicos nativos e cenário natural. Pedzeré, a protagonista, colhe folhas todas as manhãs, próximo a sua aldeia. Folhas para comer, para banho, para remédio, para comida. Um dia é surpreendida por um jovem indígena com uma linda pintura corporal de origem misteriosa. Os dois se apaixonam. E nada mais será como antes.


Na confecção das ilustrações usei tanto recursos analógicos quanto digitais, combinando monotipias, tintas naturais, papeis reciclados, carimbos e raspagem. As formas estilizadas foram livremente baseadas nas famosas bonecas Karajá, que são pelas mulheres chamadas na língua nativa de ritxòcò e pelos homens de ritxòò. Tais figuras de argila e cinza são a expressão de uma identidade. Têm profundos significados sociais, reproduzindo a ordem sociocultural e familliar dos Karajá, comunicando ludicamente os valores passados de uma geração à outra. Como a etnia de Pedzeré é indefinida, criei padrões gráficos e adornos aleatórios. Apenas a caracterização da cobra é mais realista. Trata-se da jiboia-arco-íris, ou salamanta, uma espécie que pode atingir quase dois metros de comprimento. É típica do cerrado e encanta pelo brilho colorido, graças a sua incrível iridesciência, provocado pela reflexão da luz sobre sua pele. 



agosto 03, 2012

O MUNDO PELOS OLHOS DE GAIA

A Editora Gaia preparou a nova edição do seu catálogo de literatura infantil e juvenil para a 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. A Hipótese, ou Teoria, de Gaia foi o mote para a criação da capa. Trata-se de uma tese que sustenta funcionar o planeta Terra como um ser vivo. Foi apresentada em 1969 pelo investigador britânico e ambientalista James E. Lovelock e pela bióloga estadunidense Lynn Margulis. O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega Gaia, da Terra. Controversa para alguns membros da comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e também pesquisadores atentos às interações cíclicas do "meio ambiente", portanto, não-lineares e não deterministas".



julho 18, 2012

COM A NOITE VEM SONO





O mito traz consigo a magia do princípio do mundo. Naquele tempo havia harmonia e o mundo era povoado por forças que buscavam controlar a noite, 
o dia, o fogo, os alimentos, os homens e os animais, o tempo e a natureza. 
Era tempo que inspirava cuidados com o corpo e com o espírito e de tudo emanava o mistério e a magia capazes de dar sentido à existência. Assim 
era. E assim ainda é. São o mistério e magia que alimentam nossas vidas. 



E quem conseguir ler a história que este livro traz com os olhos do coração, 
irá enxergar muito além das próprias palavras. E se encontrará, de novo, no princípio de tudo. Escreveu assim Daniel Munduruku, no texto de quarta capa deste reconto da escritora e professora Lia Minápoty, da etnia Maraguá. Lia pertence ao clã Çukuyêguá Poe por nascimento e ao clã Aripunãguá por casamento. Nasceu na área indígena Maraguapajy, próximo ao rio Abacaxi, 
na aldeia Yãbetue'y. 


O povo Maraguá, que vive na imensidão amazônica, conta com algumas centenas de pessoas, que lutam para preservar sua cultura tradicional. 
A narrativa, que ilustrei a convite da Leya, revela a busca dos Maraguá pela noite restauradora. Sem a escuridão, que aprofunda o sono, faltava energia 
para o trabalho diurno. Lia retoma na obra a fala encantatória, que acontece 
nas rodas de conversa ao entardecer, quando todos se reúnem para ouvir histórias mágicas, como numa espécie de portal onde experiências, 
realidade e sonho se fundem. Projeto gráfico meu e de Eduardo Okuno.