Escrito por Walter Fraga e Wlamyra R. de Albuquerque, breve lançamento pela Editora Moderna, o livro destaca o ríquissimo legado da cultura africana no Brasil. Parte do coração da África, mãe de todos os povos, navega pelos rios rumo ao deserto, percorre o Saara trazendo muitas informações e riquezas para enfim chegar à costa, de onde partiram tantos africanos pelo tráfico levados ao Brasil.

De cunho informativo, a obra não poderia prescindir de iconografia. Pude, porém, contornar esse objetivo mais documental e recriar poeticamente, pelo viés dos africanos e de seus descendentes, vários aspectos que compõem a nossa formação cultural. O livro não apenas discorre sobre as contribuições artística, religiosa, culinária, linguística, literária, jornalística, medicinal, filosófica, esportiva e musical. Ressalta também o quanto a resistência negra ajudou a fortalecer a idéia de liberdade no Brasil. E me ofereceu uma outra oportunidade de retratar Zumbi dos Palmares: um símbolo de liderança, identidade, nexo e resistência (imagem logo abaixo).

A cultura de um povo compreende seu conjunto de manifestações coletivas, mas vai além disso. Diz respeito à maneira como padrões de comportamento são assimilados e determinam o modo de ser e agir em sociedade, de se vestir, falar, de educar os filhos e lidar com o desconhecido, com a morte e com a busca de soluções e sentidos na vida. Publicações como esta são fundamentais para ampliar a reflexão e plena percepção da cultura e identidade brasileiras.

Também ilustrei mais um tumbeiro, abarrotado de malungos (companheiros de viagem), reduzidos a meras silhuetas esquemáticas, com frieza numérica. A ilustração abaixo mostra uma animada roda de samba, uma homenagem à sensibilidade e à pintura do mestre Heitor dos Prazeres.