junho 24, 2008

SIB na Talento


Usei uma máquina pictográfica, com manchas de cor no lugar das teclas, para o anúncio de página dupla institucional da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil – programado para a próxima edição do anuário de comunicação TALENTO. É minha percepção acerca da ilustração, enquanto expressão narrativa e simbólica, capaz de dispensar até mesmo o uso do texto. Se as imagems devem combinar para os olhos assim como as palavras aos ouvidos, é possível ir além quando conseguimos aliar conceito e técnica. Ilustrar, por definição, é jogar uma luz sobre um tema. Ou seja, elucidar, iluminar ou esclarecer. O que não implica, porém, em explicitar. Podemos usar uma luz indireta, difusa, oblíqua, negra, dura ou meia-luz para sugerir mais do que mostrar. Ilustrado é quem tem conhecimento ou sabedoria. Ilustração não é enfeite!

junho 04, 2008

Meu tataravô era africano (DCL)



Conheci a escritora Georgina Martins – que divide a autoria deste belo livro com Teresa Silva Telles – no 10º Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens, no MAM Rio. Estava prestes a embarcar para São Paulo, mas tive o prazer de encontrá-la antes de partir. O livro foi lançado pela DCL no domingo (01/06). Aqui ao lado um desenho de uma escrava que, mesmo com gargalheira, máscara de flandres e correntes, amamenta sua criança.

maio 08, 2008

Uma onça para ilustrar o Brasil


No segundo semestre deste ano, mais uma vez com o apoio do Senac SP e organização da SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil), acontecerá a quinta edição do ILUSTRA BRASIL!, que oferece a todos interessados um espaço para a discussão sobre o desenho publicado no Brasil. O evento – que já recebeu o troféu HQ MIX de artes gráficas – traz oficinas, palestras, debates e uma exposição de ilustrações. Todo ano é realizado também um concurso entre os ilustradores associados para a escolha da indentidade visual oficial do evento. Submeti a imagem acima à seleção, que ficou em segundo lugar. A colorização foi feita com algumas madeiras brasileiras: pau-amarelo na pelagem, pau-roxo no traço e sucupira no fundo (apenas aqui houve manipulação digital da tonalidade original da madeira). É um trabalho de marchetaria digital, que pretendo explorar mais vezes.

maio 01, 2008

Meu tataravô era africano (DCL)



Numa aula de História, um garotinho de ascendência africana se depara com um passado doloroso vivido pelos escravos no período da Colonização. Escrito por Georgina Martins e Teresa Silva Telles será lançado no 10º Salão FNLIJ de Livros para Crianças e Jovens às 11h00 do domingo (01/06), no MAM carioca. Fizemos o projeto gráfico de capa e miolo, misturando ilustrações inéditas com material iconográfico histórico. As pirogravuras foram colorizadas com anilinas, café, óleo de nogueira e ferrugem, entre outros materiais mais brutos e alternativos, que também carregam uma intenção metafórica. O próprio texto das autoras já combina ficção e documento para refletir sobre a escravidão no Brasil, bem como seus ecos contemporâneos. Na capa à direita há um retrato de Zumbi dos Palmares. Logo abaixo, uma versão visual da música de Gilberto Gil que sintetiza o espírito geral do livro.

abril 09, 2008

Veia Bailarina e Não Verás País Nenhum



Temos trabalhado na elaboração de novos projetos gráficos de capa de livros do escritor Ignácio de Loyola Brandão. Em todas haverá uma espécie de selo com a assinatura do autor, que poderá ser aplicado em posições diferentes, conforme a necessidade de cada composição. As ilustrações feitas para estas duas primeiras capas é bem minimalista. A intenção é apenas permitir um vislumbre do tema ou da atmosfera de cada obra. Na capa acima a ilustração foi feita a partir de um registro natural sobre madeira envelhecida. Na debaixo, trabalhei a imagem de vasos sanguíneos misturando tinta acrílica e arremate digital. Breves (re)lançamentos do autor pela Global Editora.

abril 01, 2008

Catimbó Cana Caiana Xenhenhém


Mais uma pirogravura para capa da Coleção Poetas do Brasil, editada pela Martins Fontes. O editor sugeriu muita cor, com elementos retirados do imaginário poético do autor. Lirismo, humor, espirituosidade, dramas humanos, dores de amor, ritmo e musicalidade são algumas das marcas da sua obra, que firma uma ponte rica de interpretações entre as tendências modernistas e regionalistas.

II Prêmio ABECIP: Mão à Obra!


Realizamos para a ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) a Identidade Visual do II Prêmio de Monografia em Crédito Imobiliário e Poupança, com o tema “Soluções e Alternativas para o Financiamento de Imóveis de Interesse Social”. Trata-se de um concurso, aberto a graduandos ou profissionais de várias formações profissionais – economia, engenharia, administração, arquitetura, direito e outras afins – que premiará as melhores soluções e alternativas para reduzir o enorme déficit habitacional brasileiro. A ilustração das mãos me ocorreu por representar o cidadão e a necessidade básica de morar. Uma das mãos é o alicerce da casa. E a outra, o telhado. Mais do que uma casa, sonha-se com um lar. A imagem lembra também a própria marca da associação.

fevereiro 08, 2008

Histórias e Sonhos (Martins Fontes)


Humilhado pelos meninos ricos, o pretinho Zeca sonha com uma horrível máscara de diabo. Um presente do Coronel Castro – que retratei com o rosto de Charles Darwin – ao filho querido da humilde D. Felismina de Inhaúma. O protagonista da história "O Moleque" ilustra a capa do mais sinóptico dos livros de Lima Barreto, que promove um encontro inesperado entre literatura e o saber popular, a sociologia e o folclore das religiões, as mazelas políticas e o esnobismo acadêmico e científico, bem como as frustrações pessoais e o cotidiano das ruas, em meados dos anos 1920.

janeiro 10, 2008

Outras tantas histórias indígenas...


...DE ORIGEM DAS COISAS E DO UNIVERSO. O escritor Daniel Munduruku reúne e reconta, nesta nova antologia a ser lançada pela Global Editora, algumas surpreendentes narrativas sobre os mistérios e segredos da existência, conforme as concepções distintas de alguns povos indígenas brasileiros. Mostra o diálogo entre a natureza e a cultura. E retrata a diversidade de respostas – pelo caminho mágico, sagrado, divino ou sobrenatural – que buscamos àquelas questões essenciais que, na verdade, são universais.

A origem do fogo, segundo os Bororo


O jaguar farejando o ar ilustra a narrativa sobre a origem do fogo, segundo a tradição dos Bororo, ou Boé, de Mato Grosso. Traz o arquetípico confronto entre a força e a inteligência. Entre o jaguar e o macaco, que cobiçam um dourado grelhado. Os padrões estilizados que fiz na pele da onça foram baseados no interior decorado de um estandarte Bororo de couro de onça, ao redor do qual os homens dançam, lamentam e tocam flauta nesse rito fúnebre tradicional.

A origem dos Kaiapó


No princípio dos tempos os Kaiapó viviam no céu, com fartura e tranquilidade. Até que um guerreiro encontrou um passagem para o mundo inferior através de uma cova de tatu. Foi o primeiro a atravessar a abóbada celeste e pisar na terra, atraído pela visão de uma floresta de buritis, um rio e campos grandiosos. A organização hieráquica da aldeia está esquematizada no diagrama sobre a cabeça deste Kaiapó, no qual cada cada pena indica um indivíduo e sua posição social.

Gestão Socioambiental Municipal


Esta menina dos olhos foi feita para ilustrar a capa de uma publicação técnica da ANAMMA – Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente. A combinação – gravação à fogo e tingimento natural – sempre casa bem com iniciativas de preservação ambiental. Fiz alguns acertos digitais na cor, composição e luz no final do processo.

janeiro 02, 2008

Projeto Acervo DCL


Traço à grafite sobre fundo em acrílico, em montagem digital. Imagem de capa para uma obra que trata do acervo da editora DCL.

dezembro 21, 2007

A primeira estrela que vejo...


...É A ESTRELA DO MEU DESEJO, de Daniel Munduruku . Disfarçados na folhagem do tambatajá estão um índio Taulipang e sua companheira Makuxi, que juntos fogem por amor, na história Só amor é tão forte.

dezembro 11, 2007

A primeira estrela que vejo...


...É A ESTRELA DO MEU DESEJO. Às margens do Araguaia, a bela e intransigente Imaheró se apaixona pela estrela vésper. Para os Karajá, trata-se de um forte guerreiro, senhor das tempestades, do tempo e dos ventos. Aquele que bota o sol para dormir, desperta a luz da lua, a admiração dos homens e o desejo das mulheres. Seu nome é Tahina-Can, a primeira estrela. Lançamento recente da Global Editora. As pirogravuras que ilustram cada história foram baseadas na respectiva iconografia de cada povo indígena.

Quem não gosta de fruta é xarope (Global)


A vida realmente não viveu, se as maravilhas do mundo tropical você não conheceu, já afirmou certo estrangeiro. Mas é de estranhar, quando algum brasileiro, chama de exóticas as frutas do seu próprio pomar. Muitas delas, da mais próxima à mais distante, fazem parte do meu poema pirogravado, recitadas com a malícia típica de um feirante. Sabores e saberes têm a mesma origem. E estão, muitas vezes, debaixo do nosso nariz.

A Amazônia tem, no mínimo, duzentas plantas frutíferas catalogadas. Dos tantos frutos do cerrado produzem doces, licores, bolos, sucos, sorvetes, geléias, mingaus e aperitivos. Cada bioma brasileiro tem suas riquezas. Que a ignorância e o imediatismo não convertam definitivamente esse formidável patrimônio natural em pasto e sojicultura.

dezembro 04, 2007

Corujice Literária


Ilustração de capa do catálogo infantil da Global Editora.

novembro 30, 2007

Maravilhas das Mil e Uma Noites


As quatro capas dessa coleção têm cores e desenhos diferentes, elaborados a partir de alguns ornamentos árabes tradicionais. Assim, o design de capa apenas sugere o conteúdo dos livros. As ilustrações internas foram inspiradas nas linhas e curvas de temas decorativos e simbólicos, persas sobretudo, anteriores ao Islã.

Dar-Nar


"Dar-Nar, um ifrite peludo e cheiroso como um camelo, cheio de olhos desconexos de víboras, imensos molares numa queixada de javali e garras enormes, com as quais carrega o príncipe Kamarozaman e a princesa Budur." Mais uma, das mil e uma.

novembro 27, 2007

Cabeça Feita


Esta é a primeira pirogravura que fiz, logo após retornar da França. A mulher negra de grandes olhos verdes me ocorreu ainda por lá, mas ganhou o penteado fractal no avião e o arremate final aqui em São Paulo. Participou inclusive do IlustraBrasil! 3. O pirógrafo da foto, esquecido por uns vinte anos, pifou logo em seguida. Baseado nessa imagem, tenho trabalho em novas figuras desse gênero, refinando a técnica e abordagem.