novembro 12, 2007

Não verás país nenhum

Um projeto gráfico diferenciado feito para celebrar os 25 anos de uma ficção visionária. O livro, editado em vários países e premiado na Itália, teve o miolo impresso em papel pólem e foi refilado apenas no topo e na base. Tem lombada em tecido e traz um encarte especial, em quadricromia e papel reciclado, com os rascunhos, recortes de jornais e revistas, anotações e desenhos que abasteceram o autor. E ainda exibe todas as edições anteriores. A capa dura foi serigrafada em duas cores sobre papel paraná, a partir das raízes de mangue seco pirogravadas sobre esse mesmo suporte. O design rústico condiz com a questão ambiental, alicerce essencial da obra.

novembro 08, 2007

A Fazenda Distante, de Pierre-Marie Beaude (Edições SM)


Fiz as pirogravuras da capa e do mapa do continente africano, para situar a região da Namíbia onde se passa esta história, que trata da travessia da infância para a vida adulta. No coração da África, o protagonista aprende sobre as leis dos homens e dos animais. Há uma leoa, que segue seus passos bem de perto. Amadurecem juntos. E mais juntos ainda os coloquei.

Leréias, de Valdomiro Silveira (Martins Fontes)


Antes de Guimarães Rosa, o paulista e descendente de bandeirantes Valdomiro Silveira já incorporava o dialeto caipira em sua literatura. Ele mesmo era um legítimo caboclo. Em Leréias, cada narrador conta a sua ou as histórias alheias, com as próprias palavras. Fez um retrato mais digno do caipira, na época muito marcado pelo pejorativo Jeca Tatu, famoso personagem do Monteiro Lobato.


Ilustrações para a Revista Terra feitas para um artigo sobre a diversidade das plantas encontradas nas florestas do Rio Negro, cujas propriedades medicinais ainda foram pouco estudadas, conforme registros do Dr. Dráuzio Varella e equipe.

novembro 05, 2007

>>>>> PARECE QUE FOI ONTEM




Ilustrei diversos livros de temática indígena, escritos por Daniel Munduruku. Este foi o primeiro. É um projeto de memória afetiva, sobre a vivência na intimidade da floresta, sobre a transmissão oral do conhecimento compartilhado ao redor da fogueira e, em especial, sobre a percepção da unidade que perdemos no contexto urbano. Lançado pela Global Editora, as pirogravuras originais estarão na mostra expositiva LINHAS DE HISTÓRIAS, no Sesc Belenzinho, de 13/07 a 28/08/2011.

Sobre os Munduruku, cujo nome significa formigas-gigantes, pesquisei suas tradições, situação geográfica, arte plumária, cestaria e pintura corporal. E tirei uma licença poética para recriar as personagens, detalhes e cenários. A colorização foi feita com pigmentos naturais e anilinas. A pasta de urucum veio do Acre, produzida pelo povo Ashaninka. E o sombreamento de algumas imagens foi feito com a queima da própria gravura.

É primeiro livro bilíngüe – português-munduruku – que temos notícia. Isso representou um desafio técnico de tradução e transcrição fonética e ortográfica. Inclusive em termos de editoração eletrônica, especialmente com relação à acentuação de consoantes.

novembro 04, 2007

Brasil-folião, de Fátima Miguez (Editora DCL)




As pirogravuras feitas para este livro foram baseadas nas obras de referência fornecidas pela editora. Cada ilustração busca estabelecer uma conexão poética entre os poemas e as pinturas reunidas pela autora. Além dos pigmentos orgânicos, utilizei lantejoulas, paina e outros materiais reaproveitados.

novembro 03, 2007

A primeira estrela que vejo é a estrela do meu desejo, de Daniel Munduruku (Global Editora)


As histórias de amor aqui reunidas e recontadas fazem parte da memória de diferentes povos indígenas brasileiros. Algumas são mais conhecidas do grande público. Outras tem um frescor delicioso. Cada uma delas exigiu um tratamento diferente na ilustração, sempre afinada com a tradição respectiva. É primeiro volume de uma série chamada Antologia dos Mitos Indígenas. Em breve será lançado o segundo volume também ilustrado com pirogravuras, que trará histórias de origem. E o terceiro livro terá o terror como mote.